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Primeiras Impressões: Supermax – Ep. 01

Em tempos recentes, é notável o esforço dispendido pelas grandes redes de televisão para conquistar um público cada vez mais antenado e exigente. Investimentos em efeitos especiais, como os empregados em Os Dez Mandamentos, e implementação de estéticas ousadas, a exemplo da fotografia embasbacante de Velho Chico, são realidades que apontam para uma nova forma de se fazer TV no Brasil. E é nesse contexto de diversificação que surge Supermax, série de terror/suspense produzida pela Globo

O quê? Passou um tempo numa bolha hermética e não faz ideia do que estou falando? Bom, então se liga no trailer abaixo:

Sinistro, não?

À época do seu anúncio, muitos ficaram surpresos com a escalação nada usual de roteiristas (que incluía nomes consagrados de diversos estilos, como Raphael Draccon, por exemplo) e pela proposta sombria idealizada pelos diretores José Alvarenga Jr., Fernando Bonassi e Marçal Aquino. Com a estreia de ontem (20/09) na TV aberta, tivemos a oportunidade de conferir um pouco do tom da série. E, pra um episódio inicial, até que o resultado foi surpreendente.

cast

Voltada mais para o público adulto (a série tem sangue e nudes, caso esteja se perguntando o porquê) e claramente apoiada na esteira de sucessos mais dark como The Walking Dead, Supermax é uma aposta de risco da Globo, que explora um mercado de nicho e abandona o padrão de novela pra construir uma narrativa ficcional nos moldes gringos. O que está longe de ser algo ruim ou desprovido identidade.

A premissa básica é a seguinte: doze competidores, todos com algum antecedente criminal, são enviados para uma prisão de segurança máxima, local onde ocorrerá o reality show Supermax, apresentado por um Pedro Bial sorumbático e com toda a pinta de voyeur. Contudo, alguma treta cabulosa acontece, o programa é interrompido e forças from hell passam a assombrar a prisão, colocando em risco a vida e a sanidade dos participantes que, obviamente, vão ter que arranjar um jeito de escapar.

bial

Nesse primeiro episódio, somos apresentados às regras do reality e conhecemos um pouco sobre os participantes, no maior climão de Big Brother, em recursos narrativos que servem, basicamente, para o desenvolvimento primário dos personagens e para o estabelecimento do cenário e das delimitações em que decorrerá boa parte da trama.

Alguns esteriótipos existem aqui e acolá (o religioso com dons paranormais, a bonitona fascinada pela morte, o freak incompreendido…), mas isso não chega a ser prejudicial, já que confere uma heterogeneidade de motivações e comportamentos bem interessante. Para exemplificar isso, tenho que admitir que fiquei curioso pra saber quais traumas marcaram o ex-lutador de MMA Luizão e o que tanto atormenta o ex-padre Nando.

luizao

Nesse contexto, cabe dizer que os personagens vividos por Cléo Pires, Mariana Ximenes e Erom Cordeiro – trio já tarimbado e recorrente das produções do Projac – até que funcionam pelo caráter dúbio de cada um, mesmo com algumas falas forçadas inseridas no roteiro e uma certa falta de intensidade. Mas, verdade seja dita, as melhores atuações do episódio são entregues pelos “anônimos” do programa, cujos personagens transparecem, nesse primeiro momento, mais profundidade em suas motivações, como é o caso da maníaca-arrependida Diana.

diana

Longe de ser original ou revolucionária, a série ganha pontos pela direção competente e por prender a curiosidade do espectador ao misturar reality show com survival horror, investindo na exposição de conflitos e diferenças interpessoais na melhor escola de Lost (incluindo aí o uso de flashbacks). Outros pontos pontos positivos consistem no prevalecimento de atuações mais introspectivas (nada de personagens expressando seus pensamentos conspiratórios em voz alta por aqui) e a abertura classuda da série, que merece o devido espaço neste review:

Sério, a escolha de uma música de Leonard Cohen nunca foi tão acertada desde a cena do Coruja com a Espectral em Watchmen, se é que você me entende ( ͡° ͜ʖ ͡°)

De negativo, bom, ainda é cedo pra formar uma opinião sobre os rumos da série, mas torço para que ela não se perca em meio às muitas referências que compõem o seu núcleo. Trocando em miúdos, espero que não fique sem sal, nem que exagerem muito no tempero.

Assim, se você quer conferir algo diferente produzido em solo tupiniquim, pode encarar Supermax sem medo (pelo menos, por enquanto). Ainda que o primeiro episódio tenha poucos elementos sobrenaturais, pode apostar que muita coisa bizarra ainda está por vir, incluindo aí paredões, provas de resistência e bichos demoníacos sedentos por sangue 😉


Supermax é transmitida pelo canal Globo às terças-feiras, no horário das 23h30, e também está disponível por assinatura, na plataforma de streaming Globo Play.

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